ABREN participa da inauguração da 1ª usina de biometano da América
Latina que utiliza dejetos suínos
A usina é fruto da parceria entre H2A Bioenergia, associada da ABREN, e a Copercampos, e contou com investimento de R$ 65 milhões. De acordo com estimativas da associação, o Brasil aproveita apenas 1,5% do potencial do biometano e 5,6% do biogás, podendo receber investimentos de até R$ 320 bilhões.
A Associação Brasileira de Energia de Resíduos (ABREN) participou, na quinta-feira (26 de março de 2026), da inauguração da primeira usina de biometano da América Latina que utilizará dejetos suínos. A planta, fruto da parceria entre a H2A Bioenergia, associada da ABREN, e a Copercampos, está na localizada cidade de Campos Novos, em Santa Catarina.
Yuri Schmitke, presidente da ABREN, participou do evento e destacou a importância da planta não apenas para o Estado de Santa Catarina, mas para o Brasil e a América Latina. Segundo estimativas da associação, o Brasil aproveita somente 1,5% do seu potencial de biometano e 5,6% do biogás. Por outro lado, o potencial nacional é de 84 bilhões de m3 por ano de biogás, sendo 44 bilhões de m3 de biometano, com investimentos de até R$ 320 bilhões.
Nosso país tem um potencial muito grande para evoluir no segmento de biometano. Atualmente, o Brasil usa menos de 2% de seu potencial nesse setor, ou seja, temos um amplo horizonte para expandir. A usina inaugurada hoje, de duas associadas da ABREN, é um marco importantíssimo. Temos a convicção de que essa será a primeira de muitas usinas de biometano que utilizam desejos de suínos, destaca Schmitke.
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Segundo o presidente da ABREN, a nível nacional, o Brasil não pode perder a oportunidade de investir nesse combustível.
O biometano é, sem dúvidas, o combustível do futuro, com papel estratégico na descarbonização dos transportes e na substituição do diesel e do gás natural fóssil.
Atualmente, há medidas importantes em andamento que podem mudar o futuro energético do país. Entre essas medidas, passam a valer o Certificado de Garantia de Origem do Biometano (CGOB), neste ano, e o Sistema de Créditos de Carbono Regulados (SBCE), em 2027, que garantirão
rastreabilidade, monetização das emissões evitadas e reconhecimento internacional da sustentabilidade do combustível.
Esse novo ambiente regulatório criará condições para atrair investimentos, ampliar a infraestrutura de distribuição e consolidar o biometano como uma das principais apostas do Brasil rumo à economia de baixo carbono, completa Schmitke.
Primeira usina de biometano a partir de desejos suínos
Com um investimento de R$65 milhões, a usina da Compercampos e da H2A e é a primeira de um total de 22 plantas planejadas pelas empresas para os próximos cinco anos, com um investimento total que pode chegar a R$ 2,9 bilhões. Levando em conta apenas as usinas de bioemtano a partir de desejos suínos, a estimativa da H2A é investir R$ 500 milhões.
Com tecnologia importada do mercado europeu, e que demora até 30 semanas para chegar em solo brasileiro, a geração de energia pode ser expandida para outros dejetos, considerando a produção da economia local onde as plantas serão instaladas. Além disso, a planta possui autorização da ANP, produzindo biometano com padrão de qualidade industrial e que pode ser injetado na rede de gás.
Na prática, o modelo de negócio funciona em parceria com os produtores, que têm a obrigação de fornecer os dejetos e espaço para implantação do equipamento, e recebem parte do que é arrecadado com a comercialização. Por outro lado, a empresa fornece o equipamento e cuida do
negócio em si.
Segundo Adilson Teixeira Lima, diretor-presidente da H2A Bioenergia, o projeto terá impacto socioeconômico relevantes para a região.
Hoje a comercialização é feita em Lages, município que fica a cerca de 100km de onde temos nossa primeira planta, no entanto, em parceria com a SCGás, a previsão é que a rede chegue em Campos Novos em até 2 anos. Além disso, vamos implementar postos de combustíveis, por exemplo, gerando novos negócios e desenvolvimento regional, explica Adilson Teixeira Lima.
A Associação Brasileira de Energia de Resíduos (ABREN) é uma entidade nacional, sem fins lucrativos, que tem como missão promover a interlocução entre a iniciativa privada e as instituições públicas, nas esferas nacional e internacional, e em todos os níveis governamentais. A ABREN representa empresas, consultores e fabricantes de equipamentos de recuperação energética, reciclagem e logística reversa de resíduos sólidos, com o objetivo de promover estudos, pesquisas, eventos e buscar por soluções legais e regulatórias para o desenvolvimento de uma indústria sustentável e integrada de tratamento de resíduos sólidos no Brasil.
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