Importância Estratégica do Certificado GAS-REC
Como monetizar e descarbonizar com o biogás no Brasil
O papel dos ativos ambientais na transição energética
O crescimento do biometano no Brasil consolida-se como a alternativa mais viável para a descarbonização térmica e de transportes, substituindo o gás de origem fóssil em setores onde a transição é mais difícil. No entanto, para que esses projetos sejam financeiramente viáveis sob a ótica ESG (Ambiental, Social e Governança), é preciso olhar além do gás físico. É necessário separar a molécula de gás do seu "valor verde" (seu atributo sustentável).
Nesse cenário, a certificação é o pilar que sustenta as metas das grandes empresas, transformando a sustentabilidade em dinheiro no caixa através do modelo Book and Claim, um sistema contábil onde o benefício ambiental (o "selo verde") pode ser negociado e vendido separadamente do gás físico.
Gerido e emitido no Brasil pelo Instituto Totum, o GAS-REC é o sistema de rastreamento de atributos ambientais para biogás e biometano. Ele permite que a porção renovável do gás seja rastreada desde a usina até o consumidor final. Isso garante juridicamente que uma empresa possa alegar o consumo de energia limpa, mesmo utilizando a rede de distribuição comum.
O que isso significa na prática? (A Jornada do Certificado)
- O Produtor (Fazenda/Usina): gera o biogás / biometano. Ele pode vender o gás físico para uma indústria vizinha e, simultaneamente, emitir o certificado GAS-REC.
- A Certificação (Instituto Totum): valida e registra esse certificado na plataforma, garantindo que o gás foi realmente gerado de forma limpa.
- O Consumidor (Empresa ESG): uma multinacional compra esse certificado GAS-REC do produtor para abater suas próprias metas de emissão de carbono, financiando assim a transição energética.
Arquitetura técnica e governança global do programa GAS-REC
Uma governança rigorosa é fundamental para evitar o greenwashing (falsa propaganda de sustentabilidade) e garantir que o certificado tenha validade internacional. O Brasil não apenas segue padrões globais, mas os lidera: o Instituto Totum atua hoje como gestor global para a certificação de gás renovável por meio da parceria Global Gas Tracking.
- Métricas e Transparência: para o pesquisador e o auditor, a precisão é vital. O GAS-REC segue padrões internacionais onde 1 certificado equivale a 1 milhão de BTU (ou 0,29 MWh), incluindo também o volume em metros cúbicos para balanços de massa rigorosos.
- Prevenção de Dupla Contagem: todo o ciclo de vida ocorre via plataforma SISGAS-REC. Uma vez que o certificado é "aposentado" (usado por uma empresa para abater suas emissões), ele se torna imutável, garantindo que o benefício ambiental seja contabilizado uma única vez.
Valor estratégico para o produtor: dupla fonte de receita
A separação entre a molécula e o atributo ambiental inaugura uma nova lógica de negócios. Para produtores rurais e usinas, o GAS-REC não é apenas um diploma de sustentabilidade; é dinheiro na mesa.
- Impacto no Fluxo de Caixa: o atributo ambiental pode representar um prêmio (ganho extra) entre 20% e 50% sobre o preço do gás físico. Esse valor adicional acelera o Retorno sobre o Investimento (ROI) da instalação dos biodigestores/plantas de biogás.
- Acesso Simplificado: produtores podem emitir certificados sob demanda, pagando taxas apenas sobre os volumes efetivamente vendidos como GAS-REC, protegendo o capital de giro da operação.
Perspectiva do consumidor: descarbonização e compliance ESG
Para empresas com metas de zerar suas emissões (Net Zero), o GAS-REC funciona como uma "bomba de combustível virtual". Ele permite que indústrias conectadas a gasodutos comuns comprovem o consumo renovável através da compra desses certificados.
- Caso Prático de Sucesso: A eficácia do modelo foi comprovada na negociação entre a Adecoagro (produtora) e a Metso Outotec (indústria). A compra de 25 mil certificados GAS-REC permitiu à Metso reduzir em 10% as emissões da sua fundição e em 60% na fábrica de borracha no Brasil. O certificado foi validado pelo GHG Protocol, o principal padrão mundial de medição de emissões.
Entendendo o ecossistema regulatório (sem complicações)
A convivência entre o mercado voluntário e as novas leis brasileiras (como a Lei do Combustível do Futuro) foi desenhada para ser clara e complementar.
- GAS-REC vs. CBIO (RenovaBio): não há dupla contagem. A lógica é simples:
- GAS-REC: responde à pergunta "Quem consumiu a energia limpa?" (Rastreabilidade).
- CBIO: Responde à pergunta "Quanto carbono o país evitou no transporte?" (Descarbonização nacional).
- Analogia do Etanol: uma usina emite CBIOs por produzir etanol. Você abastece seu carro com ele e ainda assim a sua empresa pode usar o fator de emissão renovável na contabilidade dela. Ambos coexistem.
- Proteção (Hedge) Regulatória: Os certificados GAS-REC oferecem segurança jurídica. Se novas leis obrigarem indústrias a descarbonizar, quem já possui os certificados está protegido e um passo à frente das exigências governamentais.
Conclusão: o futuro dos ativos ambientais no Brasil
O Brasil consolidou sua liderança no Hemisfério Sul, oferecendo uma infraestrutura de ativos ambientais que serve de modelo para o mundo. Eventos como o I-REC Day Brazil 2026 são o ponto de convergência atual para discutir a expansão dessas fronteiras.
O horizonte para o setor de biometano já prevê a certificação de novos ativos, como o Combustível Sustentável de Aviação (SAF) e o Hidrogênio Renovável. O biogás deixou de ser apenas uma alternativa energética da fazenda ou da indústria para se tornar o coração de uma economia bilionária de baixo carbono.
Para quem produz e para quem consome, a certificação imediata deixou de ser apenas um compromisso ético; é uma estratégia indispensável de sobrevivência e lucro no mercado global.
Sobre o evento
O I-REC Day Brazil, o maior evento de certificados de Energia Renovável do país, está de volta em sua 4ª edição, com o objetivo de consolidar as oportunidades oferecidas pelos certificados I-REC, GAS-REC no mercado energético brasileiro.
Acesse a saiba mais: irecdaybrazil.institutototum.com.br
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